segunda-feira, 24 de março de 2008

Nip/Tuck - 4ª Temporada

Nip/Tuck é uma série que sofre de um problema gravíssimo: o excesso de seriados que abordam crises de meia-idade e as dificuldades de relacionamento e comunicação experimentados por pessoas que levam vidas aparentemente perfeitas, que são uma das maiores tendências da TV atual. Com isso, a série, que tem como pano de fundo o universo das cirurgias plásticas, acaba não tendo o destaque devido, tornando-se muito mais cult que pop – e o modo quase explícito com que as cirurgias e o sexo são tratados contribuem para isso.

Felizmente, isso não atrapalha a série. Pelo contrário, o fato de ela não ser uma mania como 24 Horas, House ou Heroes, mas contando com público fiel, permite que os roteiros continuem afiados e, o que é melhor, sem abrir nenhum tipo de concessão em nome da audiência. Uma prova disso é a quarta temporada, recém-lançada em DVD no Brasil, que se configura num dos melhores dramas da televisão do ano passado.

Novamente, o foco central é dividido igualmente entre os dois protagonistas, os cirurgiões e sócios Sean McNamara e Christian Troy. Milionários e bem-sucedidos profissionalmente, a vida pessoal de ambos é um lixo, ao contrário do que as aparências mostram. Enquanto o primeiro tenta viver de forma responsável, mantendo um casamento (mesmo cercado de tentações) e criando seus filhos, o segundo é um conquistador sem sinais de escrúpulo e pula de cama para cama (às vezes, mais de uma vez por episódio). Aliás, Troy é um dos personagens mais fortes da atualidade: ao invés de ser apenas um galã cafajeste unidimensional, o ar sombrio e amargo que Julian McMahon empresta ao cirurgião enriquece demais a personalidade do personagem, tornando-o um dos pontos altos do seriado.

Na quarta temporada, esses dois fatores (a suposta respeitabilidade de um e a amoralidade do outro) são levados ao extremo numa série de episódios que parecem resumir tudo o que aconteceu nos anos anteriores, dando a idéia de que um enorme arco de histórias foi fechado – o que torna recomendável assistir às outras temporadas antes. Com isso, claro, sobra espaço para as tradicionais bizarrices da série – que já, abordou assuntos como transexualismo, tráfico de drogas, seriais killers e neonazismo. O pacote da vez inclui deformidades físicas, tráfico de órgãos e, num lance arriscado, cientologia, um assunto que poucos filmes e séries têm coragem de abordar.

O diferencial da série (além da força de seus personagens centrais) é a elegância de sua narrativa. Os episódios são escritos e dirigidos com uma qualidade superior a muitos outros dramas da TV, e isso e apresentado com uma regularidade invejável. Aliás, esta quarta temporada ousa mais que as anteriores nesse sentido, sobretudo mostrando um episódio ambientado em 2026. A idéia não é nova. Diversos seriados, independente do gênero, apresentam um episódio esporádico numa época diferente, mostrando o futuro ou (normalmente) o passado dos personagens. Porém, com a exceção de Lost, todos fazem isso como uma enorme brincadeira que, se explica as atitudes dos personagens centrais, não acrescenta muito à trama. Nip/Tuck, por sua vez, transporta a ação duas décadas à frente dos roteiros para, corajosamente, apresentar uma das mudanças mais drásticas na vida de um dos personagens desde o início da série, já entregando suas conseqüências – e, obviamente, o fato de será irreversível.

Porém, se a série não abre concessões nos roteiros para ganhar mais público, a recompensa vem de outra forma: participações especiais. Catherine Deneuve, Richard Chamberlain, Jacqueline Bisset, Peter Dinklage e até mesmo Alanis Morrisette são alguns dos nomes que desfilam pelo cast da quarta temporada, tornando a série ainda mais elegante e divertida para o público, que começa a caçar as personalidades que surgem em cada episódio. E o número de celebridades deve aumentar ainda mais com o gancho final da temporada, que transporta os dois cirurgiões para a meca das celebridades americanas. Ou seja, o público pode esperar mais sexo e mais bizarrices no próximo ano, que promete fôlego renovado – desde que o seriado não se perca como tantos outros que resolveram mudar radicalmente sua trama central e acabaram se auto-destruindo.

5 Comments:

Eduardo Araújo . said...

Caaaara, eu tenho que voltar a ver nip/tuck, num tá dando tempo.
A série é demais, dá saudade quando tem que parar de ver por algum motivo.

Tenho que dar um jeito de por minhas séries em dia porque tem algumas que já estão com episódios pós-greve marcados

haja tempo!

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Thiago "El Cid" Cardim said...

me. empresta. agora.

MaxReinert said...

Nip/Tuck rules!!!!!!!!

Emanuele said...

You write very well.