Hoje em dia ninguém investe tanto (e tão bem) em séries de ação como a Fox. A emissora, além de exibir as aventuras de Jack Bauer em 24 Horas – a maior grife do momento – detém os direitos de quase todas as outras opções para quem procura alternativas no gênero. E, deixando 24 Horas de lado, o carro-chefe da emissora é Prison Break, que, logo em sua primeira temporada, arregimentou um enorme número de fãs cativos.
Justamente por isso esta segunda temporada dá um passo corajoso e arriscado ao mudar toda a estrutura da trama, colocando os personagens principais do lado de fora dos muros do presídio de Fox River – vale lembrar que a primeira temporada se encerra justamente na fuga. E esse é o grande problema da segunda temporada, já que o diferencial do seriado eram justamente as cenas ambientadas na prisão.
Entretanto, isso está longe de ser um grande defeito, já que a segunda temporada, apesar de inferior a primeira, ainda consegue manter o interesse do espectador, graças especialmente a dois fatores: Robert Knepper e William Fitchner. São os dois atores que conseguem compensar a mesmice das cenas de ação (pois, fora da prisão, a série virou “mais um” seriado de ação) e a falta de coerência (e de graça) da suposta trama governamental por trás da prisão de Lincoln Burrows.
Knepper, que interpreta o presidiário Theodore “T-Bag” Bagwell, conseguiu criar um dos personagens mais maravilhosamente sórdidos da televisão: bissexual, pedófilo, totalmente desequilibrado e amoral. Como se não bastasse, o ator utiliza ainda de maneirismos e um sotaque sulista carregado que chega a causar nojo no espectador. Entretanto, basta o ator ficar mais de alguns minutos sem aparecer na tela para sua ausência começar a se refletir no episódio.
Além disso, vale ressaltar que, ele é o responsável por muitas das subtramas da segunda temporada, já que cabe aos outros personagens normalmente reagirem às suas ações. A iniciativa sempre é dele – e é sempre a pior iniciativa possível. Isso já se manifestava dentro do presídio na primeira temporada, mas, neste segundo ano, a importância do personagem fica cada vez mais explícita. Sem dúvida, um dos melhores vilões da televisão – e o melhor da série, devido a incapacidade dos roteiristas em amarrar a trama política de forma satisfatória.
O outro ponto dorte deste ano é William Fitchner, nem tanto pelo seu personagem, mas mais pelo seu talento
E, apesar de um gancho razoável para a terceira temporada, fica claro que o próximo ano será decisivo para o seriado. Afinal, será em 2008 que descobriremos se Prison Break foi uma “série excelente de uma temporada” ou uma “série regular de várias temporadas”. Se mantiver o ritmo da segunda temporada, a última alternativa é a mais provável, já que nem mesmo Knepper ou Fitchner conseguirão, sozinhos, manter a qualidade da série.



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