Muita gente fala que a primeira temporada de Desperate Housewives foi a única que prestou em toda a série. Isso é uma meia-verdade. Sem dúvida, o primeiro ano foi o melhor de todos até agora, com um tom sombrio e doses de humor negro que não os produtores e roteiristas não conseguiram repetir nas temporadas anteriores. Mas, daí a dizer que o segundo e terceiro anos não possuem seus méritos é totalmente equivocado.
Realmente, o segundo ano perde-se ao tentar (sem sucesso) criar uma nova trama de mistério, seguindo a receita que havia dado certo na primeira temporada. Porém, o terceiro ano da série inova ao criar uma série de pequenas tramas com o mesmo peso para cada uma das personagens, sem seguir um foco narrativo principal. E isso funciona na maior parte do tempo, tornando a temporada mais ágil e interessante (e permitindo que os roteiristas possam mudar algo que não esteja dando certo sem grandes problemas).
Com isso, o público é presenteado com tramas de todos os tipos e formatos: cômicos, românticos, dramáticos etc. Isso, aliado ao carisma das quatro personagens centrais – e de muitos dos coadjuvantes –, se não tornam o terceiro ano do seriado memorável, conseguem mostrar que a série ainda tem muita lenha para queimar, ao contrário do que os críticos de plantão insistem em afirmar, dizendo que o seriado se perdeu completamente.
Independente desta nova estratégia dos roteiristas, o seriado conta com um grande trunfo que mais que justifica uma visita: Felicity Huffman. Apesar de o elenco inteiro estar extremamente afiado, a intérprete de Lynette se sobressai engolindo todas as cenas em que aparece. A naturalidade e a profundidade que ela empresta à sua personagem mostram que, sem sombra de duvida, trata-se da maior atriz que a televisão vê em muito tempo. Uma amostra disso é o excelente episódio em que ela é mantida como refém num supermercado, que é, certamente, o melhor da história do seriado – e muito graças ao trabalho da atriz.
Dos outros personagens, o destaque fica para Nicolette Sheridan, mesmo com as participações de atores já consagrados no cinema como Kyle MacLachlan e Dougray Scott. Seu personagem, Eddie Britt, originalmente criado como vilã da série ganha cada vez mais espaço no seriado, despertando até mesmo a simpatia (e pena) do público, sobretudo no final da temporada. O inverso acontece com a personagem de Teri Hatcher, que novamente não tem muito a fazer, a não ser funcionar como alivio cômico.
Em suma, Desperate Housewives consegue manter seu charme em meio a tantos seriados que seguem a tendência atual da televisão de criticar o american way of life. Continua mostrando fôlego e, apesar de um ou outro escorregão, permanece acima da média do que é exibido na televisão. E, de quebra, Felicity Huffman é, sozinha, melhor que o elenco inteiro de um The O.C da vida e o trabalho da atriz justifica o preço da temporada em DVD.



2 Comments:
1 - Felicity Huffman é ótima, mas a primeira temporada foi o ápice para Marcia Cross, na minha opinião. Eu acho que a Bree é a mais complexa das quatro (ou cinco)e é a imagem dela que me vem à cabeça quando eu penso em Desperate Housewives.
2 - Triste a decadência da personagem da Teri Hatcher. Será um pássaro? um avião?
3 - As participações especiais são outro ponto que me chama atenção nessa série.
4 - A terceira temporada não chega, como vc disse, ao nível da primeira. Mas eu acho que foi uma grande salvação no storyline da série.
Concordo com muito do que foi dito, mas como disse o Otaviano acho que a temporada foi de Marcia Cross, que marcou a temporada toda mesmo tendo que sair na reta final.
Acho Bree a mais complexa das garotas e acho que ela e Felicity ficam pau-a-pau pra ver quem é a melhor. Acho que Felicity é brilhante sim, mas às vezes suas histórias a prejudicam... mas Bang realmente foi o melhor dos episódios. E a terceira temporada realmente vale a pena ser comprada.
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