quarta-feira, 28 de novembro de 2007

The Office - 3a Temporada

Quando a série The Office chegou ao Brasil, muita gente receava que ela seria apenas um remake oportunista e pasteurizado do seriado original inglês – que mostra, da forma mais ácida possível, o cotidiano de um escritório de vendas e o terrível relacionamento entre seus funcionários. O tempo, porém, lhe fez justiça. A série ganhou vida própria, saindo da sombra da também excelente irmã mais velha, e, de quebra, ainda fez a carreira de Steve Carrell, o comediante do momento em Hollywood, decolar totalmente.

E isso não é pouco, ainda mais se levarmos em conta que o seriado, especialmente nos seis episódios da sua primeira temporada, caminhava claramente sem um rumo definido. Isso porque além do humor escrachado, ela ainda precisava lidar com sua forma narrativa complicada, já que simula um reality show, com personagens olhando para a câmera, mas nunca falando diretamente com ela, a não ser nas cenas no “confessionário” – nas quais normalmente contradizem tudo o que fazem no escritório.

Mas, já na segunda temporada, a série encontrou seu caminho, e, no seu terceiro ano (o mais recente lançado em DVD no Brasil) decolou de vez. Isso porque a grande ameaça ao equilíbrio dos roteiros (a possibilidade do personagem de Carrell, Michael Scott, engolir todas as seqüências) foi colocada sob controle, com suas extravagâncias sendo mais contidas. Já na terceira temporada, a série deixa claro que seu assunto principal é o cotidiano do escritório, e não o personagem Michael Scott (Carrell).

Com isso, todos os outros funcionários ganham em peso, especialmente o vendedor Jim, a recepcionista Pam e, claro, o estranhíssimo nerd Dwight Schrute. Agressivo, arrogante, puxa-saco, infantil, reacionário e totalmente idiota, Dwight vem se tornando aos poucos, no personagem mais engraçado do seriado. Enquanto o personagem de Carrell deixa o espectador constrangido pelo seu comportamento ridículo (ele atua como o gerente daquela filial, um completo idiota que se acha a pessoa mais competente e engraçada do planeta), Rainn Wilson leva o público às gargalhadas involuntárias devido às suas atitudes inesperadas (e invariavelmente boçais). Curiosamente, ter dois personagens tão esdrúxulos resultaria no risco natural de ambos baterem de frente, diluindo a maior parte das piadas, Porém, eles acabam se completando magistralmente.

E essa química entre os dois, que resulta nas melhores piadas do seriado, por outro lado, talvez seja o único problema de The Office. Todas as ações dos outros personagens normalmente levam a uma conclusão que envolve Michael e/ou Dwight, então nenhum dos outros funcionários do escritório ainda tem força própria para segurar uma situação com começo, meio e fim por conta própria. A única exceção a essa regra é o romance enrustido entre Jim e Pam, mas apenas porque nem Dwight ou Michael conseguiria se encaixar nesse plot.

Este fator, porém, está longe de atrapalhar a série e, apesar de não ser resolvido neste terceiro ano, é suavizado com a entrada de novos personagens, devido a uma fusão com outra filial. Assim, diversas histórias paralelas começam a surgir, como a competição de Dwight com um novo puxa-saco e o romance de Jim com outra funcionária. Mas os produtores e roteiristas sabem do potencial dos personagens Michael e Dwight (separados ou não) e trabalham muito bem isso, fazendo com que a dupla protagonize, nessa terceira temporada, algumas das melhores seqüências de toda a série. No episódio que aborda o treinamento de segurança, por exemplo, somente a cena da melancia já vale o preço dos três DVDs.

Mas o grande diferencial da série é, realmente, a linguagem de reality show adotada. E isso nem tanto pelos depoimentos dos personagens feitos diretamente para as câmeras, mas pelos pequenos detalhes que isso possibilita: um ou outro personagem olhando constrangido para a câmera em determinada situação; captar a reação de um personagem (teoricamente, sem ele saber) à atitude de um dos colegas; e os estranhos ângulos de filmagem (às vezes, as pessoas são vistas fechadas numa sala ou através de uma janela).

Esses elementos tornam o seriado totalmente diferente das outras comédias da televisão, e constituem no grande charme de The Office. Cabe dizer, também, que a série é, na verdade, um gosto adquirido. É preciso se acostumar com sua linguagem para, enfim, poder apreciá-la.

E, a respeito do que dizem seus detratores, que normalmente atacam o seriado usando a presença de Carrell, astro de comédias como O Virgem de 40 Anos e A Volta do Todo Poderoso, vale lembrar que o comediante está presente em Pequena Miss Sunshine, a melhor comédia dos últimos anos. E só isso já é suficiente pra lhe garantir respeito suficiente – e, consequentemente, garante credibilidade a The Office, na qual o astro atua também como produtor executivo desde a segunda temporada.

3 Comments:

Rafaella said...

The Office é um seriado viciante. Eu já havia acompanhado o original pritânico pelo People & Arts há algun anos atrás, e tinha gostado um bocado.Admito que fui uma daquelas que, a princípio, também achei que essa série seria mais um resultado pasteurizado da mídia americana, mas ela se provou até melhor que a original.
A cada temporada você se vê mais familiarizado com a estética da filmagem - que passa a achar sensacional, com os personagens e seus trejeitos, e, quando menos percebe, já está usando algumas frases e caras clássicas do Dwight, Michael, e seus colegas de trabalhos como uma piada interna entre você e seus amgios que também assistem a série...
2 thumbs up!!

taty. said...

muito mais do que a cena da melancia da terceira temporada, a quarta temporada está lotada de "melhores cenas de seriados no mundo inteiro". de verdade. só não falo quais porque elas perderiam a graça. mas destaque pros sidekicks kevin e meredith.

Silvinha said...

Os primeiros episòdios pareceram durar uma eternidade... Não sabia se teria fôlego para terminar a maratona que fiz da 1a temporada. Aos poucos, fui entendendo melhor aquela vergonha das ações do Michael que se transformava em gargalhadas, torcendo por Jim e Pam e rindo sò de ver a cara de suposta superioridade do Dwight (e, detalhe, eu tenho um parente que deve ser igualzinho no escritòrio dele).
Espero ansiosa pelo retorno dos novos episòdios pòs-greve !